Operação de armazém Básico 3 min de leitura

Humidade, embalagem e armazenamento

A humidade afeta alguns produtos diretamente e a embalagem quase sempre: as caixas perdem resistência em ar húmido e os rótulos deixam de colar. Quando mercadoria fria encontra ar quente e húmido, forma-se condensação. É por isso que a humidade relativa é monitorizada junto com a temperatura.

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Humidade, embalagem e armazenamento Imagem ilustrativa

Este conteúdo é apenas informativo. Não constitui uma interpretação regulamentar, um parecer de auditoria nem uma instrução de conservação para o seu produto. Prevalecem o rótulo aprovado do produto e as orientações em vigor da autoridade competente.

Quando se fala em condições de armazenamento, a temperatura vem sempre primeiro. A humidade tende a ser lembrada só depois de algo já ter corrido mal: uma caixa amolecida, uma palete inclinada, um rótulo que já ninguém consegue ler.

O que significa humidade relativa?

O ar transporta sempre algum vapor de água. A humidade relativa é a quantidade de vapor de água no ar, expressa em percentagem, face ao máximo que o ar poderia conter àquela temperatura. O ar quente consegue reter mais vapor de água do que o ar frio. Por isso, quando o mesmo ar arrefece, a sua humidade relativa sobe, e a partir de um certo ponto, o ponto de orvalho, o vapor começa a condensar.

Essa relação explica muitos dos problemas de humidade num armazém. O mesmo ar pode apresentar uma humidade relativa muito diferente numa tarde quente e numa noite fria.

Como afeta a humidade o produto?

Alguns produtos são afetados diretamente. Os comprimidos efervescentes, alguns pós e cápsulas são exemplos conhecidos. Para estes, a proteção dada pela embalagem é importante, mas a própria embalagem também é afetada pela humidade.

Embalagem e rótulos

As caixas de cartão canelado perdem resistência à compressão em ar húmido. Numa pilha, isso significa que as caixas de baixo ficam esmagadas e a palete inclina-se, ou chega mesmo a tombar.

A humidade também enfraquece a adesão dos rótulos. Uma caixa cujo número de lote ou data de validade já não se consegue ler é um problema para a rastreabilidade.

Condensação

Quando mercadoria fria encontra ar quente e húmido, o vapor de água desse ar condensa-se na sua superfície. As gotas numa palete que acabou de sair da câmara frigorífica são exatamente isso. Uma caixa molhada perde resistência e põe o rótulo em risco.

A solução é simples mas exige paciência: deixar a mercadoria fria chegar à temperatura ambiente dentro da embalagem fechada, e só depois abrir a embalagem.

O que significa “lugar seco”?

«Conservar em lugar seco» é uma frase comum nos rótulos que parece estar aberta a interpretação. O capítulo geral USP <659> define um lugar seco como aquele que não excede 40% de humidade relativa média a 20 °C, ou a pressão de vapor de água equivalente a outras temperaturas. Essa definição transforma a frase do rótulo numa condição que se pode medir.

O que fazer na prática

Alguns hábitos simples evitam a maior parte dos problemas causados pela humidade:

  • A humidade relativa é registada junto com a temperatura. Muitos registadores de dados conseguem medir as duas ao mesmo tempo.
  • A mercadoria é colocada de forma a não tocar no chão nem nas paredes.
  • As portas do cais não ficam abertas mais tempo do que o necessário, porque em tempo húmido o ar exterior traz a sua humidade consigo.
  • A desumidificação é usada onde é necessária.
  • A indicação “lugar seco” no rótulo é tratada como uma condição a monitorizar, não como uma simples nota.

A humidade numa área também pode ser medida durante o mapeamento de temperatura. Como surge a condensação no transporte de mercadoria fria está explicado em Onde se quebra a cadeia de frio?

Referências

  • USP General Chapter <659>, Packaging and Storage Requirements
  • WHO Technical Report Series No. 1025, Annex 7: Good storage and distribution practices for medical products (2020)

Apenas informativo; não é uma interpretação regulamentar nem uma instrução de conservação.