Operação de armazém Avançado 3 min de leitura

Como se faz o mapeamento de temperatura?

O mapeamento de temperatura mede como a temperatura se distribui numa área de armazenamento e onde se formam os pontos quentes e frios. O resultado mostra onde devem ficar os sensores permanentes e que zonas da área não servem para produtos sensíveis.

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Como se faz o mapeamento de temperatura? Imagem ilustrativa

Este conteúdo é apenas informativo. Não constitui uma interpretação regulamentar, um parecer de auditoria nem uma instrução de conservação para o seu produto. Prevalecem o rótulo aprovado do produto e as orientações em vigor da autoridade competente.

O termóstato de uma sala pode mostrar o valor certo enquanto a sala não tem a mesma temperatura em todo o lado. A zona junto à porta, as prateleiras perto do teto, o espaço em frente a uma unidade de arrefecimento e uma parede batida pelo sol comportam-se todos de forma diferente. O mapeamento de temperatura serve para medir essa diferença.

Porque é necessário?

As diretrizes EU GDP (secção 3.2.1) pedem que uma área de armazenamento seja mapeada antes de entrar em uso, em condições representativas. Os dispositivos de monitorização permanente são depois colocados onde o mapeamento mostrou a maior variação. O mapeamento repete-se em intervalos definidos por uma avaliação de risco, e sempre que as instalações ou o seu equipamento de controlo de temperatura mudam de forma significativa.

Ou seja, o mapeamento não é um exercício pontual. Descreve como a área se comporta hoje, e precisa de ser revisto sempre que a área muda.

Um protocolo antes de qualquer medição

Um bom mapeamento começa com um protocolo escrito. Este define:

  • o objetivo do estudo e a área que abrange,
  • os critérios de aceitação, ou seja, o intervalo em que o produto tem de ser armazenado,
  • um esquema que mostra onde fica cada sensor,
  • durante quanto tempo decorre o estudo e em que condições de funcionamento.

As medições vêm de registadores de dados calibrados que gravam a intervalos fixos. Os respetivos certificados de calibração entram também no relatório: uma leitura sem certificado é uma leitura que ninguém consegue interpretar.

Onde ficam os sensores?

Pense na área em três dimensões. Os registadores distribuem-se pelos níveis baixo, médio e alto. Não ficam concentrados num único ponto, mas espalhados de forma a representar, em conjunto, toda a área. Estes pontos merecem atenção especial:

  • junto às portas e aos cais de carga,
  • ao longo das paredes exteriores e das janelas,
  • à volta de luzes, aquecedores e unidades de arrefecimento,
  • no centro da área, como referência.

Em armazéns com estantes, a diferença entre os níveis superiores e o nível do chão merece atenção própria, porque o ar quente sobe e os níveis superiores podem comportar-se de forma diferente.

Durante quanto tempo deve decorrer?

Mais do que um número fixo de dias, a pergunta certa é se o estudo cobre o funcionamento normal da área. As horas em que as portas abrem mais vezes, os dias úteis e não úteis, e os ciclos do sistema de arrefecimento devem todos caber dentro do período de registo.

Onde o clima exterior afeta a área, o mapeamento é feito tanto na estação quente como na fria. Também deve considerar o comportamento da área vazia e cheia.

Mapeamento e monitorização contínua

O mapeamento é um estudo feito durante um período definido, e mostra como uma área se comporta. A monitorização contínua funciona todos os dias com sensores permanentes, e mostra se a condição está a ser cumprida.

Os dois complementam-se. O mapeamento decide onde acontece a monitorização: os sensores permanentes vão para onde o mapeamento encontrou os pontos mais quentes e mais frios. Com o tempo, os dados da monitorização podem, por sua vez, indicar que é altura de um novo mapeamento.

O que deve mostrar o relatório?

Além dos dados em bruto, um relatório de mapeamento mostra os pontos quentes e frios, quaisquer leituras fora do intervalo e as suas causas prováveis, onde devem ficar os sensores de monitorização permanente, e quaisquer zonas que não devam ser usadas para produtos sensíveis. Um bom relatório é escrito com clareza suficiente para que a próxima pessoa repita o mesmo estudo da mesma forma.

Explicamos onde se encaixa o mapeamento dentro da GDP em O que são as Boas Práticas de Distribuição?, e os riscos que um produto enfrenta depois de sair do armazém em Onde se quebra a cadeia de frio?

Referências

  • WHO, Temperature mapping of storage areas, Technical supplement to WHO Technical Report Series No. 961, Annex 9 (2015)
  • European Commission, EU GDP Guidelines (2013/C 343/01), section 3.2.1

Apenas informativo; não é uma interpretação regulamentar nem uma instrução de conservação.